ENTRE BRUXAS, PRÍNCIPES E CORCUNDAS

BREVE BIOGRAFIA DE LELO SILVA

“Comecei a vida como corretor de imóveis, depois de seguros, porque precisava sustentar minha família, que estava nascendo naquele momento, em meados dos anos 80. Desde muito cedo, estou em função de uma procura, de uma inquietação que não acaba nunca. A oficialização da Catibrum Teatro de Bonecos ocorreu em 1991, mas antes disso eu já construía personagens. Fundei a Companhia Mineira de Mistérios e Novidades, mas este nome era uma cópia de um grupo de circo que existiu no Brasil. Nós fazíamos performances para festas, de acordo com o que o cliente pedisse. No início, eram encontros para adultos, coisas bem malucas, como Decameron e outros ambientes inspirados na literatura. Estávamos em plenos anos 80, com as pessoas buscando identidade, num período pós-revoluções e ditaduras. Foi uma época intensa.

Sempre gostei de teatro. Fui criado no interior de Minas Gerais, em várias cidades porque meu pai era transferido a cada três anos pelo trabalho. Éramos uma família com cinco filhos e nós o acompanhávamos. Desde menino, quando comecei a estudar literatura na escola, as professoras pediam para ler um livro e fazer a interpretação do texto. Em vez de escrever, eu reunia um grupo e montava um espetáculo.

Era divertido fazer produção, pensar figurinos, estruturar cenário.

Minha primeira confusão por causa do teatro ocorreu na infância, quando eu tinha entre 7 e 8 anos e estudava num colégio religioso. O lugar entrou em reforma e passamos a freqüentar um outro colégio de freiras, muito antigo. Numa das minhas andanças pelas salas desativadas, encontrei uma caixa de papelão, cheia de fantoches, por acaso.

Continua

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