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Não por acaso o público mineiro se apropriou do Festival Internacional de Teatro de Bonecos. Há 10 anos, em 1999, acontecia a primeira edição do evento que viria a se tornar a principal referência do gênero em Belo Horizonte e importante ponto de encontro mundial, pela repercussão e alcance da programação. Espetáculos como “A Rainha das Cores”, da Erfreuliches Theater Erfurt (Alemanha), “Gulliver”, da Viaje Inmóvel (Chile), “Cuentos Pequeños”, de Hugo e Inês (Peru), “Bistouri”, da Tof Theatre (Bélgica) e “Un Jour Il Vit une Pie”, da Cia Kym Eun Yong (Coréia) deixaram na cidade a marca das produções consistentes, que elevam o pensamento estético a respeito do teatro de animação. Companhias nacionais como Pia Fraus (SP), Grupo Sobrevento (SP), PeQuod (RJ) e Caixa do Elefante (RS) se somam ao Giramundo, Armatrux, Aldeia e à própria Catibrum, de Minas Gerais, na busca pela melhor forma de levar ao palco histórias de todas as cores, que reconhecem a diversidade da cultura brasileira no que ela tem de mais genuíno e essencial. Para estes artistas, o inesperado não é mero capricho, mas a procura por um jeito novo de recordar a tradição ou uma maneira de apontar para o futuro, sem receio de correr riscos. Arte presencial e em constante movimento, como deve ser toda expressão artística, o teatro de formas animadas esteve por muito tempo recolhido como entretenimento de qualidade duvidosa para crianças. Duplo preconceito, uma vez que diversão não precisa ser rasteira para agradar e que o público infantil é muito mais exigente do que se imagina. No ano de estréia do Festival Internacional de Teatro de Bonecos, pouco se sabia sobre o gênero. A professora Ana Maria Amaral acabava de conquistar cadeira específica sobre o tema na Universidade de São Paulo – USP, e a revista Móin Móin, editada pela Universidade de Santa Catarina ainda não era publicada. Depois de participar de mais uma edição do Festival de Canela, no Sul do país, a Catibrum entendeu que era necessário fazer a capital mineira sair do confortável campo do desconhecimento para se entregar à aventura de descobrir nas formas animadas lugar de encantamento, diversão e reflexão, e recebeu apoio das Leis Municipal e Estadual de Incentivo à Cultura para o primeiro grande encontro, que reuniu talentos que impressionaram platéias de todas as idades. O que no início parecia uma utopia, tornou-se realidade. Ao longo de 10 anos ininterruptos, Minas Gerais descobriu o valor da dramaturgia nos espetáculos de teatro de bonecos, desenvolveu critérios para receber os trabalhos e interagir com eles, construiu saberes a respeito de uma arte milenar em alguns países e que no Brasil tem forte relação com a cultura popular. Com isso, tornou-se público rigoroso, qualificado, que hoje aguarda com ansiedade cada nova edição. Instigado por provocações como Bambi, que levou para a cena uma arma explodindo o cérebro do protagonista, ou A chegada de Lampião no inferno, misto de musical e teatro com técnicas de manipulação direta, o público é cada vez mais numeroso e interessado. Para atender às expectativas, a curadoria da Catibrum participa dos principais eventos internacionais, em busca das melhores atrações. Em Charneville, na França, enfrenta maratona em que avalia cerca de 100 espetáculos por edição, para escolher uma média de oito representantes internacionais em condições de se apresentar no prestigiado Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Belo Horizonte. Procurada por inúmeros produtores durante todo o ano, a Catibrum não abre mão da qualidade do entretenimento como principal critério para a seleção. Como resposta, observa de perto o surgimento de novos grupos, o aperfeiçoamento dos já consolidados e a inquietação de platéia crítica e aberta às diferentes propostas de investigação. |
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