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PAINEL CRÍTICO AJUDA A TORNAR POSITIVO SALDO DE RIO PERTO
Cada espetáculo do evento foi analisado por especialistas em publilcação diária.
(São José do Rio Preto)
A programação do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, encerrada neste sábado, foi integrada por espetáculos e performances – ao todo, 141 apresentações em 11 dias de evento, 20 delas no sábado de encerramento – e pelas chamadas atividades formativas: debates, palestras e a criação de textos que são preciosidade nos tempos de hoje, de espaços reduzidos na imprensa para a crítica. Cada espetáculo que passa pelo festival é visto e comentado, por escrito, por especialistas convidados, a maioria professores universitários. As críticas são publicadas em tablóide com distribuição grátis nos locais de apresentação.
Só para se ter idéia, um trabalho do Grupo Tapa como Retratos Falantes, quatro solos de autoria de Allan Bennet, até pelo despojamento da proposta, dificilmente receberia na grande imprensa análise crítica com a extensão, (quatro páginas) e a profundidade alcançadas por José da Costa. Professor de História e Teoria do Teatro da Universidade do Rio de Janeiro, ele dissecou os procedimentos do autor ao isolar a personagem do drama tradicional para, em seguida, mostrar como em sua leitura cênica Eduardo Tolentino realiza as mesmas operações de síntese e redução.
É apenas um exemplo, outros desses textos ampliam para o espectador, e em alguns casos também para os artistas, a compreensão e a fruição sobre o espetáculo, fazendo avançar o senso crítico. Em conjunto já se constituem documento histórico importantes para futuros pesquisadores. Cada montagem, brasileira ou estrangeira, recebeu uma ou mais críticas. As últimas, que não puderamser publicadas a tempo na edição impressa, podem ser lidas no site www.festivalriopreto.com.br.
Entre os espetáculos apresentados na reta final está O Homem Voa?, teatro de bonecos, criação da companhia mineira Catibrum. Adaptação do livro Santô e os pais da Aviação, de João spacca, esse espetáculo dirigido por Lelo Silva, que também atua com outros quatro atores/manipuladores, conta a trajetória de Santos Dumont. Integrou o módulo denominado “todos os públicos” (ampliando a idéia do infantil). Curiosamente, surpreendeu a quantidade de adultos desacompanhados (sem crianças) que se divertiam na última sessão de sábado. Homem Voa? Tem cenas em que recursos como texto, manipulação de bonecos ou projeções se unem para harmonizar com perfeito equilíbrio o lúdico e o didático. É o que ocorre quando Santos Dumont e seu mecânico experimentam um motor na bicicleta. Se já é boa a idéia de colocar molas no lugar de pernas do mecânico, melhor ainda é o humor que tiram de seus movimentos.
Outro bom momento – o que retrata a decisão de eliminar o balão de gás do dirigível – brota do recurso da projeção. Por mais que uma câmera, acompanha-se no telão de fundo o desempenho que vai surgindo na prancheta do inventor. Mas esse recurso só funciona bem porque o grupo explora a hesitação do inventor, suas dúvidas, seus erros. Pena que em outros momentos o espetáculo caia no didatismo puro e simples, sem tensão, sem humor, sem conflitos que diferenciam teatro de aula ilustrada. Um ajuste nos diálogos para provocar mais tensão e menor preocupação com cronologia se ampliaria o equilíbrio entre teatralidade e busca didática nessa boa montagem.
(Beth Néspoli – O Estado de São Paulo – Terça-feira, 22 de julho de 2008 – CADERNO 2 – D3)
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