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NO BRASIL

Por Magda Modesto

“É em sua miscigenação etno-cultural que o Brasil se concretiza como Nação. Da fusão indígena-luso-africana surgem o povo brasileiro e suas manifestações culturais, entre estas, a dos títeres, que, através da estética, da temática, de técnicas e do perfil de personagens deixa transparecer essas raízes. No Nordeste esses espetáculos se manifestam em vários estados, recebendo diferentes denominações, tais como: Babau, Calungas, Cassimiro Coco, João Redondo e Mamulengo. Essas "brincadeiras" possuem rica dramaturgia de tradição oral, cuja temática se desenvolve como uma crônica da comunidade. Como na vida do homem, o espetáculo é constituído de "passagens" (cenas), que se apresentam sem seqüência lógica, entremeadas de cantos (loas) e danças. "Brincar" (representar) não garante a sobrevivência dos "mestres" da "brincadeira" (espetáculo), que se desdobram em outros ofícios, sobretudo na agricultura. Suas casas são pobres, suas panelas vazias, mas sua criatividade é rica e ilimitada. Com surpreendente capacidade de adaptação - característica do povo brasileiro -, passam a dominar uma "tecnologia de escassez" transformando adversidade em fantasia e alegria. Saciam assim o "vício do brinquedo" onde revelam os desequilíbrios sociais através do riso, propiciando reflexões sobre a realidade de sua sociedade. Utilizando uma linguagem específica, destinada ao seu público, o "mestre”, como nos velhos Polichinelles e outros, faz uso de um interlocutor para dinamizar os espetáculos. A provocação incentiva a participação da plateia, e, com esta, o "brincante" se realimenta. Compreender a fantasia do "mestre" é captar a sua perspicácia frente à realidade do seu meio. Na confecção ainda são utilizadas as tradicionais técnicas de entalhe, assim como a reciclagem dos mais diversos materiais. As técnicas de manipulação são várias - luva, vara, varetas entre outras. Inúmeras são as trucagens - articulações de boca, olho, língua, corpo e até cabeças que saem. Enquanto no Nordeste as manifestações de títeres de expressão popular perduram, no resto do país estão se diluindo”.

MAGDA MODESTO é Titeriteira, pesquisadora e professora de História do Teatro de Títeres, de Animação e de Educação Através do Teatro.

 
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